segunda-feira, 8 de novembro de 2010

De olhos bem fechados

Eu não sei se eu é que sou burro demais, ou se sou detalhista demais ou sofista demais. Ou se vejo coisas onde não existem, ou se simplesmente faço surgir brechas que talvez só existam na minha imaginação, mas o fato é que de tudo eu aprendi a ver os dois lados. E às vezes me resta a sutileza para escolher um desses lados. É por isso que minhas idéias divergem das exegeses pregadas nas igrejas pela catilinária interpretada de certos pastores. E não é questão de ficar dividido entre o santo e o profano, ou entre o céu e o inferno. Eu apenas não entendo. Quer ver? Deus me dá uma inteligência, mas eu não posso usá-la para, por exemplo, interromper uma gravidez de risco ou indesejada (me refiro no caso de estupro). Não pode porque é pecado. Deus me dá uma pessoa para amar e ser feliz, mas eu não posso atingir um nível de felicidade a ponto de usar o meu próprio corpo com a mesma pessoa que eu amo e que foi preparada por Ele, porque primeiro eu tenho que passar por um período de carência, que só Ele mesmo sabe quando serei beneficiado e assinar um papel que me autoriza e me obriga ao mesmo tempo a ficar com essa pessoa para sempre. Mesmo sabendo que o para sempre, não existe e que existe na verdade é uma chance digamos de cinqüenta por cento de eu não gostar mais dessa pessoa por isso ou por aquilo, ou vice-versa, e ter que viver (ou seria conviver? Ou os dois?) com essa pessoa, detalhe, infeliz, até que a morte nos separe? O que tenho observado nesses primeiros trinta anos de vida, é uma mudança muito brusca no comportamento de digamos “ex-devotos”. O que antes não podia, porque era pecado, condenado a ficar a eternidade toda nadando no tacho do capeta, agora é visto como “normal”. E junto vem o sentimento de “tirar o atraso”, correr atrás do prejuízo, porque agora pode, e, epa! Espera aí. O mundo não acabou, o papai Noel não veio, a fada madrinha não transformou o débito em crédito, e tudo continuou exatamente igual no mundo. Então onde está o erro? Prefiro acreditar que o erro está na interpretação do que está escrito, e não no real significado. Acabo de ver uma reportagem no UOL onde um devoto flagrou o padre da igreja com a sua mulher, fazendo o que? É, vocês já sabem. Quem quiser ver é só pesquisar no Google. Acordem, abram suas mentes, e leiam! Leiam! Estudem e não interpretem. Ou então continuem seguindo, como disse Jesus: “a velhacaria dos homens”. A escolha é somente sua.

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